Escritos da madrugada
 

A tristeza pode esperar.

 

       

 

O seu médico está cuidando de você ou de sua doença? Parece uma dúvida fácil de ser respondida, até por que a doença sempre vem em primeiro lugar. Mas o médico J.J. Camargo, um dos nomes de referência em cirurgia torácica, responsável pelo primeiro transplante de pulmão da América Latina, se depara todos os dias com interrogações e dramas difíceis como este. De fato, a doença se repete, mas os pacientes são sempre diferentes. A felicidade é urgente, diz J.J. Camargo ao comentar que é necessário recuperar aquilo que jamais deveria ter sido deixado de lado pela medicina, o aspecto humano. "A Tristeza pode esperar" é um livro recheado de relatos tocantes e emocionantes. O médico e escritor nos faz refletir quando considera que: “Estamos perdendo a conexão com a medicina verdadeira, medicina da parceria da solidariedade”. A medicina verdadeira tinha como a essência de cuidar das pessoas e não da doença. JJ Camargo completa: “Quanto mais fomos nos habilitando a cuidar melhor da doença fomos nos esquecendo das pessoas”. Saber diagnosticar uma doença, prescrever receitas e tratamentos é algo que nos últimos tempos tem caracterizado a medicina moderna e talvez alguns profissionais. Na verdade as doenças respondem de forma muito peculiar já que não somos iguais. Na minha caminhada pelo vida e pela Rádio ouvi muitos depoimentos e muitas histórias que no seu curso, me fizeram um observador. Lembro sempre daquelas recomendações:” toma isto que você vai melhorar”. Como se os remédios também tivessem seu efeito padronizado sem considerar nossa singularidade. Por vezes esquecemos que a doença não está somente no corpo, na mente preocupada, ela está, também, no coração. “Um abraço prolongado”, “um abraço carinhoso”, “um abraço especial e silencioso” ... um toque, um olhar sincero! Simplesmente assim o dr. J.J. Camargo conforta muitos dos seus pacientes nos momentos mais difíceis. E é justamente através destes relatos que o médico divide com o leitor os dramas da vida cotidiana, fazendo de “A tristeza pode esperar”, uma leitura que nos leva a repensar aspectos essenciais da qualidade da nossa vida e das nossas relações. Agora imagine você, também e, no silencio de seu íntimo, responda, o seu médico está cuidando de sua doença ou de você? Como o seu médico lhe atende? Observe, veja, a vida é uma só.

 

 

O sopro que alivia a dor!

 

 

 Parece um romance, o que vou contar ... mas na verdade é uma história que revigora lembranças, afetos e a certeza de que a construção de um mundo melhor depende de nós. Esses dias como sabem tive que fazer um procedimento cirúrgico no hospital São Roque, de Carlos Barbosa, por ser um dos hospitais credenciados pelo meu plano de saúde. Depois do meu procedimento, como é de praxe, fui para a sala de recuperação. É, sem dúvida, um momento angustiante. Mas tinha no leito ao lado um Senhor, não vi a cara dele, mas devei ser de idade e com uma doença bastante grave. Ele gritava de dor - dor no estomago. A Enfermeira após ter feito todos os procedimentos recomendáveis, não tendo mais o que fazer....dizia , para o paciente: respira fundo e assopra bem devagar que a dor vai passar. E o Senhor, obediente, respirava fundo e assoprava. Do lado do meu leito ouvia e praticamente assoprava junto com ele, de vez em vez a enfermeira perguntava. Seu joão ( Nome fictício) está passando a dor e o senhor dizia com voz embarcada sim. Pois é, insistia a enfermeira, continue respirando fundo e assoprando bem devagar, vai fazendo que já vai passar e o senhor vai dormir. O homem com voz embargada respondia: sim. Dali a pouco o silencio tomou conta - João dormiu. E a minha espera e tensão por este alívio passou como num passe de mágica! Isso tudo me fez Voltar a infância e recordar das tantas quedas que já tive e dos arranhões nos joelhos, nos cotovelos, no corpo todo. Lembro da dor de cada machucado e então me recordo dos sopros e beijos mágicos de minha mãe. Por vezes ela dizia se acalme cheire a flor e assopre a vela bem devagar...Pelo estado frágil que me encontrava naquele dia, me emocionei em meio as lembranças. Sopros e beijos são mágicos de verdade, porque de alguma forma sempre aliviam a dor. Dentro de cada gesto de carinho de uma mãe (ou de qualquer outra pessoa), de cada sopro, de cada beijo de fada, de cada olhar atento, a dor se vai. Nos sentimos acolhidos, dividindo a dor com quem cuida, quem se importa! O sopro por si só não poderia tirar a dor real do machucado, mas é capaz de tirar a dor impressa na alma, no coração. Pois, este sopro projetada na vibração, vinha bem, do plexo, da fé, se não a cura, o alívio e isso é o que importa. Esse gesto humano, carinhoso dessa enfermeira chamou minha atenção já que desempenhava além do seu ofício a sensibilidade do cuidado e do carinho de uma mãe. Não sei o nome dela, de onde é, mas sei que é uma pessoa iluminada pelo bom senso e pelo auxílio e pela caridade. Sem querer, talvez, ela aliviou dor desse senhor e, consequentemente, a minha. Pois, eu, também, dormi aliviado.

 

 

Ingratidão, a triste sina

Existem muitos traços do caráter que definem as pessoas, e deviam ser utilizados com mais rigor pelos que estão interessados em identificar amigos ou parceiros confiáveis. Assim como a demora para rir delata instantaneamente o obtuso, a incapacidade de reconhecimento aponta para uma pobreza de alma absolutamente irrecuperável. Considerando-se que sempre alguém nos estendeu a mão em algum momento ou circunstância desfavorável, é impossível que uma pessoa de coração limpo não tenha ninguém a quem agradecer. Como a ingratidão e a inveja são filhas da mesma ninhada e existem indícios de que a inveja nasceu antes, todo mal agradecido é invejoso, e o ranço permanente é fruto de um humor bilioso, de quem nunca encontra virtudes alheias e, se as encontrasse, não saberia o que fazer com elas. Quem ajuda os outros porque se sente feliz fazendo isso, já está gratificado pelo exercício do bem e não depende da opinião do ajudado para se sentir mais ou menos recompensado. As pessoas normais são assim e se sentem bem fazendo o bem, sem a necessidade de ganhos secundários. Na contrapartida, ninguém pode negar que a ingratidão é uma das formas de agressão mais contundentes e inesquecíveis. Uma pena que não se possa ensinar gratidão, porque o mundo seria mais leve. Entretanto, este é um sentimento com o qual nascemos, e, prisioneiros dele, vivemos assim com naturalidade e doçura, ou não nascemos, e nunca haverá nada que se possa ser feito para mudar a triste sina.

 

 

No Brejo das Almas...

Onde mora a saudade

Andei em busca de vãs utopias. Lutei contra moinhos de vento. Dei murros em ponta de faca. Tentei reter o ultimo raio de sol Do poente... E a ultima gota de água Da chuva... Guardei vaga-lumes brilhantes em redomas translúcidas... Guardei os girinos do rio em aquários de vidro... Enchi muitos vidros de água com giz colorido. Quis reter suas cores... Apostei que não desbotariam. Desbotam... As águas... As roupas no varal... As aquarelas... Os olhos desbotam... como as fotografias... Não venci os moinhos de vento... Tenho as mãos machucadas das pontas de faca.... O sol não me deu o seu ultimo raio... E a chuva negou-me sua ultima gota... Vaga-lumes não fizeram brilhar minha lanterna mágica... E os girinos do rio não se tornaram peixes coloridos... Viraram sapos! Que ainda hoje coaxam no brejo das almas... Onde mora a saudade... Lá no reino longínquo chamado utopia... Na terra da infância perdida para onde jamais voltarei... Nydia Bonetti · Campinas

 

Há tempo de plantar

 

Há tempo de plantar, e tempo de colher”, diz Salomão no Eclesiastes. Existem momentos em que o guerreiro desembainha sua espada e parte para o combate. Mas existem momentos em que é preciso ter paciência. Sentar. Relaxar. Rezar. As coisas virão no seu devido tempo, não se preocupe. Não adianta ficar andando de um lado para o outro. Não adianta parecer ocupado, ou iludir-se com a sensação de que está fazendo alguma coisa. Não adianta forçar um aprendizado novo. No intervalo entre um combate e outro, o Guerreiro fuma seu cachimbo e espera. Se não agir assim, seus olhos não poderão enxergar os sinais de Deus. E todos os mapas capazes de guiar seus passos podem passar despercebidos

 

 

O dia que renasci.

Célia Bonifácio, escritora, em seu livro “ o dia que renasci”nos diz: “ Vejo o acaso como um sinal divino, muitas vezes incompreensível pela nossa irremediável condição humana. Porém, sempre com o propósito de nos ensinar ou de nos alertar para algo que ainda não estamos preparados para ver. Devemos respirar fundo e encontrar a paz interior necessária, para nos revelar o que somos capazes de fazer para descobrir o melhor de nós mesmos e seguir em frente com todas as pegadas que a vida vai deixando no nosso caminho.” Essas pegadas são fortes , algumas , verdadeiras chagas, feridas que demoram para cicatrizar, mas ficam marcadas para sempre.O bom nisso, se existir algo de bom, é que cicatrizam. Minha mãe, professora interiorana, dizia: “ meu filho ou você aprende com amor ou com a dor “ , muitas coisas aprendi com o amor; mas muitas, inevitavelmente, aprendi com a dor. E, que dor. Digo isso porque nestes dias, num jantar, festa comemorativa, a pessoa que estava no meu lado perguntou? “Como você consegue ser feliz, não fumando e não bebendo?” O que responder num caso desses, quando parar de fumar e beber foi uma opção e não uma ordenação ou obrigação em função da saúde? Mas, respondi a essa pessoa que fez tão inoportuna pergunta: “Sou feliz por isso, por não beber e não fumar”. Estranhou tanto que imaginou que estava com uma doença terminal ou tinha virado crente. Intimamente sabíamos que nada disso tinha acontecido. Mas no fundo, observando as pessoas bebendo e fumando, lembrei desta escritora que escreveu” O dia que renasci: “ eu, renasci quando deixei de beber e fumar; eu, renasci quando comecei a me gostar; eu renasci quando descobri que a vida é uma passagem. Eu, renasci quando descobri que existe um caminho melhor para ser percorrido quando se acredita na lei do “auxílio e da caridade”. Quando o perdão é uma porta para a vida, quando amar é respeitar as diferenças dos diferentes. Eu renasci quando descobri que somos fruto do que pensamos, sonhamos, vibramos e amamos. E eu descobri que é importante deixar boas pegadas, semear o bem e viver em paz, é melhor que viver por viver.

+ www.jovinonolasco.com.br

 

 
   
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