Não sou eu quem diz, mesmo assim, embora o perdido, contento-me com o que levo comigo. Um lápis sem ponta, um poema inacabado, e o silêncio de teu retrato partido

 

 

POESIA

 

 Poemas que são, por que tu és, não seriam se tu naão fosse.

 

 

   

 

 

 

 

Poesia
Uma Porta Aberta
Pés Descalços
   
 

 

 

 
 
Bem de mansinho chegaste,
rasgaste o pano velho, sofrido,
que escondia o horizonte.
Depois como uma pluma
levemente pousaste
sobre um amontoado de sonhos
amarelados
Entre lágrimas, risos,
não ficaste para o acaso.
( Só desiludida, pela mesma janela
partiste deixando apenas o perfume
entre os retalhos da velha cortina

 

Despojei-me de ilusões,
para encontrar,
no orvalho do presente,
fragmentos do tempo.
Místico tempo
que se confunde com
a sombra do silêncio.
Despojei-me
do pensamento mofo,
dos que não vêem
poesia em pés descalços.
Erqui-me
perante mãos que se tocam;
a gestos que  mostram
caminhos;
a lágrimas que não se intimidam;
a vozes que não calam.
Despojei-me do todo
para nascer de novo.

 

 

Quisera te pertencer

como te pertence:
a água, a terra, o ar e tudo o que faz
de ti um ser vivo.
Quisera ser o  solo batido,
a rua por onde passas.
Aquele instante onde te procuras
e desabafas.
Quisera ser teus momentos,
teus encantos
teus tormentos para multiplicar em motivos,
para fazer de ti um simples paraíso
Quisera apossar-me de tí,
Tê-la em mim, mesmo que fosse
para diminuir a vida,
(acelerara a morte)
e me arrebentar surdo e mudo
no jardim das graças alcançadas.
Quisera... embora o querer,
sou a sombra da espera,
a verdade de ser o que não procuras

 

 Vou só com a noite,
calado de pés descalços
procurando sombras
Descobrindo...
Desisto de ser
Para choras baixinho,
lembranças de alguém
que me ensinou um caminho
e, em meio a tespestade,
me deixou sozinho...

 

 

 
Chega !
não importa como,
faça de mim
o que te basta,
o que te completa,
o que te satisfaz.
Esquece o que existe.
O que sofreste
o que sentiste,
para que também possa sentir.
Chega !
Faça de mim um embrulho qualquer,
mas tenha-me rente ao ventre
para que eu possa ouvir
o responsável do meu partir.
Vem !
reparte comigo este tempo.
Faça de mim,
o que te basta,
o que te completa,
o que te satisfaz,
para que eu possa mar
(nem que seja )
Minha própria desgraça

 

 

 

Lá vou eu, numa sombra apenas.  
Sinto teus passos,
teu respirar profundo
com a noite me confundo.
Assim vou eu,
com pés descalços,
cheio de retalhos.
Ombros caídos,
braços cansados,
semi - adormecidos .
Assim vou eu.
Uma sombra apenas,
traços jogados ao vento
a engolir o tormento dos sonhos que fiz.
 
Moldei meus gestos,  
transformei-me em palvras,  
divorceie-me do real  
e, vagamente,deixei que a  
verdade me denunciasse.  
( Não porcurei alento no que dizia  
e nem me preocupei  
com o tempo
que rapidamente me diluia)
Num mundo que não é segredo
e nem fantasia
me defini, na sombra de minha letra
e na sórdida solidão
dos meus escritos

 

Rasguei minhas
 vestes ao transpor
 o diálogo do tempo.
 Cessei as buscas,
 bebi a espera
 e, no eco do que  me rodeava
 encontrei em mim
 o que precisava

 

Não serei eu a reclamar do vento, não serás tu a deter o tormento de ter bebido um dia a vida num só momento

Não sou sozinho, povôo o silêncio. Acomodo meus temas, lemas e poemas nas palavras não ditas. Escritas no pranto e no canto de ser.

A SABER

Ao longo do tempo foram publicados 3 livros, dois por conta própria e um em parceria com Ademir Antônio Bacca e Vânia Larentis.

No lançamento do Livro Uma Porta Aberta contou coma presença do Poeta Gaúcho Mário Quinta , sendo esta a única vez que visitou o município de Beneto Gonçalves. Presentes, também, o Poeta Oscar Bertholdo, Carlos Nejar e Lucindo João Andreola entre outros. O lançamento foi realizado no Salão Nobre da Prefeitura de Bento Gonçalves em ato Oficial

 

Ato Oficial, de lançamento do livro: Uma porta aberta, no Salão Nobre da Prefeitura de Bento Gonçalves RS. Da esquerda para direita, eu,de bigode e tudo, mas magro e elegante, depois vem Ademir Bacca, Carlos Nejar,Vânia Larentis, Mario Quintana e Oscar Bertholdo

Mario Quintana


"Olho em redor do bar em que escrevo estas linhas. 
Aquele homem ali no balcão, caninha após caninha, 
nem desconfia que se acha conosco desde o início 
das eras. Pensa que está somente afogando problemas 
dele, João Silva... Ele está é bebendo a milenar 
inquietação do mundo!"

 

Nome:
Mario Quintana

Nascimento:
30/07/1906

Natural:
Alegrete - RS

Morte:
05/05/1994

Poeminho do Contra

Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho!

 

(Prosa e Verso, 1978)

 

Eu queria trazer-te uns versos muito lindos

 "Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras
seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel!
Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas
do lado de fora do papel... Não sei, eu nunca soube o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
da Poesia...
como
uma pobre lanterna que incendiou!"

 

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